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Bernardo  Castello Branco
40 Poemas Existenciais


   O Vigia e o Abismo << >>

Envolto em silêncio de amarga exaustão
vigio teu corpo divino e terrestre
com olhos de audácia e mãos de tortura
sinto teu pranto nascido e abafado
ter forma de erro e sorriso de glória.
E eis que me assalta um brusco pavor:
o abismo, escuto, não tem dimensões,
gestos de angústia que morrem no tempo,
soluços, iras que a dor não devolve
silêncio que invade as sombras da noite.
E é em vão que me arremesso ao indefinível
com ânsias de desnudamento e rítmo
e gestos de agarrar o que é segredo,
voltando à quietude do vigia;
muda sombra ante palavras já mortas.

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